segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ana Karênina - Lev Tostói



                     Eu queria muito ler o livro Ana Karênina antes de o filme estrear em sua nova versão nos cinemas esse ano. Não vi nem o filme antigo, nem o filme novo, por enquanto. Mas até que enfim terminei de ler o livro! (Não me lembro de ter demorado tanto para ler um livro assim)

         Lev Tostói é um dos grandes escritores da literatura russa do século XIX, juntamente com Doistoiévski, Tchecov, Turgueniev e Gorki. Nasceu no ano de 1828 e foi educado por preceptores, com a morte prematura dos pais. O interessante para mim na vida de Tostói foi saber que ele escreveu sobre a precariedade da educação no meio rural, criando uma escola para filhos de camponeses na qual escrevia o seu material didático e deixava os alunos bem livres, sem muitas regras e punições.

         Era um grande pensador, as coisas do mundo o inquietavam, e cansou-se de procurar as respostas pelas quais tanto ansiava na filosofia e na ciência, deixando-se guiar então pela vida simples dos camponeses, que para ele era a mais adequada.

         Vamos ao livro. O contexto histórico do romance é um retrato fidedigno das grandezas e misérias da Rússia do século XIX, com várias alusões a títulos nobiliárquicos e eventos que reúnem a nobreza da época, e uma descrição rigorosa de ambientes e rituais sociais em voga, praticados por uma pequena elite, em uma postura antitética com relação a “outra Rússia”, em paulatino empobrecimento.

         A trama do livro está centrada na história de amor e adultério que protagoniza Ana Karênina, uma mulher da alta sociedade russa, casada com um importante político de São Petersburgo. Ana trai o seu esposo com o jovem militar Vronski e resolve enfrentar o seu marido e toda a sociedade para ficar com o seu amor, deixando seu filho aos cuidados do ex-marido.      

         Mas este era um fardo grande demais que Ana não poderia suportar. A crítica aguda da aristocracia russa começa a chegar a seus ouvidos, Ana é afastada e não mais bem quista na sociedade, culminando com um final trágico. A crítica literária sempre considerou que o valor artístico de Ana Karênina prevalece sobre a intenção moralizadora do autor.

         O livro é inegavelmente bom, mas ao mesmo tempo entediante, já que há outros núcleos de ação no romance, como o de Liêvin, que deixam a narrativa carregada com as descrições do campo e da atividade camponesa em si, bem como nas matérias filosóficas que Liêvin se vê apreendido. Se o autor tratasse apenas da vida de Ana, sem desviar o foco da narrativa, o livro seria bem mais leve e fluido.

4 comentários:

Cristiane Marino disse...

Oi Camila,

Eu li esse livro há muito tempo...
Sabe, acho que o romance de Ana Karenina, que morre logo no primeiro volume, é um contraponto para a história de amor de Lievin. Para mim, ele e sua amada são os principais personagens do livro.
Suas profundas reflexões filosóficas e existenciais que me tocaram bastante.
Ótima semana
Bjs
P.S. Gosto de Tolstoi, mas ele é um pouco descritivo demais. Adoro Dostoieviski. Você já leu Irmãos Karamázov ou Crime e Castigo?

Socorro Carvalho disse...

Oiee , muto legal seu blog. Gostei.
Já estou seguindo...
Tbm tenho um, passa lá
www.minhasinspiracoes.blogspot.com
abraços

Camila Lispector disse...

Oi Cristiane. Primeiramente, obrigada pela visita. Não tinha pensado em Kitty e Liêvin sendo os personagens principais do romance, mas achei interessante a sua abordagem. Já li Crime e Castigo, e a-d-o-r-o!!!
Obrigada e bom carnaval!!
Bjos

Camila Lispector disse...

Socorro, obrigada pela visita. Vou conferir o seu blog também.
Ótimo feriado para você.
Bjos